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17 de abril de 2021
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Comunidades resistem e mantém viva a tradição cigana no Piauí

Ciganos vive há 107 anos no Piauí — Foto: Reprodução /TV Clube

Uma das principais características do Piauí é a pluralidade de tradições. O estado é formado por comunidades que continuam mantendo viva diversas culturas. Uma delas é da população cigana, que habita no território piauiense há 107 anos.

Os ciganos vieram do Estado do Maranhão e a primeira cidade piauiense por onde passaram foi Esperantina. No dia 11 de novembro de 1913, quando este povo estava a passeio, houve um dos maiores massacres já registrados contra eles. De acordo com o produtor cultural Danilo Marques, o estilo de vida da população cigana incomodava à sociedade.

“Os ciganos, na época, passando por terras piauienses, foram encurralados por autoridades policiais. O massacre aconteceu em uma praça, foram levados em carros de boi e jogadas em uma vala coletiva”, contou.

Ainda sim, a população cigana resistiu e mantém viva a sua tradição no estado. Na cidade de Piripiri, por exemplo, existe uma comunidade cigana formada por 80 pessoas. Até hoje, eles realizam festas e revivem a cultura deixada por seus ancestrais.

Nas celebrações, a bandeira que representa o povo sempre está presente. “O azul representa o céu, o verde a esperança e o vermelho significa a terra”, explicou o artesão Margélio Alves.

Mulheres ciganas dançam com vestidos enfeitados — Foto: Reprodução /TV Clube

Mulheres ciganas dançam com vestidos enfeitados — Foto: Reprodução /TV Clube

Entre as mulheres há o costume de dançar com saias longas e enfeitadas. Além disso, os ciganos possuem o hábito de almoçar entre 9h e 10h e no chão. “É uma tradição nossa, que já vem de nossos avós, bisavós. Eles nos ensinavam que nossos maridos tinham que comer cedo, porque não sabíamos o que ia acontecer durante o dia”, explicou Rosélia Alves.

Em Teresina, há um templo na zona norte dedicado ao povo cigano comandado pelo ‘juzanga’ Emerson Mourão. “O ‘Juzanga’ representa essa pessoa que é responsável por cuidar da hierarquia, da disciplina que deve direcionar quais são esses caminhos de agir de forma correta”, explicou Emerson.

História dos ciganos foi retratada em filme

Filme conta massacre de ciganos em Esperantina — Foto: Reprodução/ TV Clube

Filme conta massacre de ciganos em Esperantina — Foto: Reprodução/ TV Clube

A tragédia ocorrida em Esperantina foi contada no filme “O Massacre dos Ciganos”, do produtor Danilo Marques. O longa-metragem foi produzido com 80 atores amadores da região e lançado no aniversário de 100 anos da cidade.

O filme tem como intuito não só preservar a cultura cigana, mas também desconstruir os preconceitos sofridos por eles. “Muitas pessoas naquela época, assim como hoje, pensavam que os ciganos estavam querendo roubar os moradores daqui. A população os rejeitava”, disse Danilo.

“Esses documentários, filmes são muitos importantes para retratar a discriminação, o preconceito, a violência e o racismo que o nosso povo cigano ainda percebe. Nós venhamos trabalhando para que o nosso povo cigano seja respeitado pela sociedade. Ainda não existem projetos voltados para nós”, Rogério Ribeiro, presidente do Instituto de Ciganos do Brasil.

Fonte: G1-PI

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