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17 de outubro de 2021
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Curso de formação dos Bombeiros é suspenso; 27 são presos em operação

O comandante do Corpo de Bombeiros, Carlos Frederico Macedo Mendes, confirmou nesta quinta-feira (17) que foi suspenso o curso de formação de alunos aprovados no concurso para Bombeiros. O anunciou ocorreu durante coletiva com a Polícia Civil que fez o balanço da operação Vigiles. Na manhã de hoje, a polícia deflagrou operação que prendeu 27 pessoas – entre candidatos, advogado e fiscais – suspeitos de fraudar o concurso realizado em 2014.

Cerca de 15 dos 50 alunos que participam do curso de formação foram retirados de sala de aula na manhã de hoje, por cumprimento de mandados de prisão e de coerção. A aulas teóricas aconteciam no Quartel do Comando Geral e depois passariam pelo estágio final. O curso tem duração de seis meses.

“Curso de formação está suspenso temporariamente, para que possamos deliberar sobre os próximos passos. Não esperávamos que isso pudesse ocorrer numa instituição com credibilidade e confiabilidade como é o Corpo de Bombeiros. O comando já sabia da investigação, que sempre foi conduzida com responsabilidade e tínhamos consciência do que estava sendo desenvolvido”, declarou o comandante Carlos Frederico.

O coordenador do curso, capitão Antônio Floriano, disse que o curso de formação está na fase final das quase 1.400 horas de carga horária para os primeiros 50 aprovados. O curso é reprovativo e funcionava diariamente em dois turnos. Ele informou que os outros 50 aprovados fariam a formação no primeiro semestre de 2017.

Até o momento 27 pessoas foram presas e nove estão foragidas, entre eles um agente da Strans e um professor da rede estadual. Entre os presos, o advogado Evilásio Rodrigues e dois fiscais foram os únicos que não fizeram as provas.

De acordo o delegado Carlos César Camelo, uma das fiscais já ouvidas informou que neste concurso ela tirou fotos das provas e repassou via whatsapp para o advogado Evilásio que distribuía para os “pilotos” responderem e repassarem o gabarito para os candidatos que estavam com o celular em ponto estratégico para visualizarem.

“É um crime sério que deturpa todo um sistema idôneo que é o concurso público e vamos responsabilizar todos os envolvidos”, destacou o delegado.

Atualizada 9h

O coordenador do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Greco), delegado Carlos César Camelo, informou que dos 71 mandados de prisão e de condução coercitiva, que estão sendo realizados nesta quinta-feira(17) na Operação Vigiles, grande parte são de pessoas aprovadas e classificadas no concurso do Corpo de Bombeiros, realizado em 2014. E disse que a anulação do certame depende dos organizadores.

“A quantidade de pessoas investigadas ou que já têm provas suficientes para indiciamento é uma grande parcela dos aprovados no concurso e classificados. Temos 36 pessoas com mandados de prisão temporária ou preventiva, que tem muitos indícios e mais 35 mandados de condução coercitiva contra pessoas que a polícia tem uma relativa suspeita, por isso que não foram presas e só conduzidas para prestarem depoimento. No total de 71 pessoas, é um número muito grande entre pessoas que já estavam no curso de formação e classificados. Sobre anulação fica a cargo da Nucepe, da administração do Corpo de Bombeiros e do próprio governo do estado”, declarou o delegado.

Um dos presos é o advogado Evilásio Rodrigues de Oliveira Cortez, que já foi detido outras duas vezes somente este ano pelo mesmo crime, nos concursos do Tribunal de Justiça e de Agente Penitenciário.

Participação da Nucepe

De acordo com o delegado Carlos César Camelo, a investigação iniciou em abril, após a operação Véritas, quando ao cumprirem mandados de busca e apreensão, a polícia encontrou indícios de fraude no concurso do Corpo de Bombeiros e a partir disso o delegado Kleydosn Ferreira solicitou apoio da Nucepe, realizadora do certame.

“A Nucepe deu todo o auxílio necessário e a principal informação foi em relação aos gabaritos, já que as pessoas suspeitas tinham gabarito idêntico ou quase idêntico ao do fraudador. A probabilidade de duas pessoas fazerem o mesmo gabarito de uma prova de concurso, estou falando de respostas certas e erradas e, as erradas serem a mesma alternativa, é quase zero, é como ganhar na loteria. Então o delegado aprofundou mais ainda essas investigações colheu mais outros elementos de inteligência que comprovavam a relação entre as pessoas, principalmente ligações telefônicas no dia do concurso principalmente, isso foi levado ao conhecimento do juiz Luiz Moura que expediu os mandados”, destacou Carlos César Camelo.

Jorge Batista, representante do Núcleo organizador do concurso, informou que não cabe ao órgão decidir sobre a anulação do concurso, mas que a entidade poderá ajudar no que for necessário para que os fraudadores sejam eliminados.

“Estamos em constante mudança, buscando mais segurança para os concursos, mas inbfelizmente ainda há pessoas que se utilizam desse tipo de fraude. O ideal é detectar todos para que sejam eliminados. Desde o início fornecemos todas as informações necessárias para as investigações. A principal delas, há cerca de seis meses, foi o cruzamento dos cartões-resposta para identificar quem fez o mesmo gabarito”, declarou.

Matéria original

Quase vinte pessoas foram presas suspeitas de fraudar o concurso público de soldado do Corpo de Bombeiros Militar do Piauí, ocorrido no ano de 2014. Ao todo estão sendo cumpridos mais de 100 mandados judiciais durante a operação Vigiles coordenada pelo Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Greco).

Estão sendo cumpridos 36 mandados de prisões, 35 mandados de conduções coercitivas e 71 Mandados de buscas e apreensões expedidos pelo juiz Luiz de Moura Correia, titular da Central de Inquéritos Policiais de Teresina.

Cerca de 150 policiais civis entre delegados, agentes e escrivães estão envolvidos na operação que contou com o apoio do próprio Corpo de Bombeiros Militar, e da Nucepe, organizadora do concurso, além do Núcleo de Inteligência da SSP-PI.

O coordenador do Greco, Carlos César Camelo, disse que há indícios da participação de pelo menos 71 pessoas na fraude, sendo que algumas já estão no curso de formação. Entre os presos está um advogado.

Graciane Sousa e Caroline Oliveira / CidadeVerde

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