Estudante da UFPI é ameaçada: ‘Melhor Jair se escondendo’

Uma estudante da Universidade Federal do Piauí (UFPI), identificada como Tatiana Nascimento, foi vítima de ameaças físicas em seu perfil em uma rede social nesta quarta-feira (10). Além de ter sido ameaçada, ela também foi chamada de “preta burra”.

A jovem entrou em seu perfil no Instagram e se deparou com várias ameaças.  “Aceita que dói menos. Vai para Venezuela. Quando eu tiver porte de arma e ti encontrar na UFPI, toma cuidado. Ninguém vai sentir falta de uma preta burra”, diz o início da mensagem. Ela, então, responde. “Você está louco? Sabia que ameaça é crime?”. Nesse momento, o agressor, que não foi identificado, escreve “#Bolsonaro17. É melhor Jair se escondendo”.

Estudante da UFPI é ameaçada (Crédito: Reprodução)
Estudante da UFPI é ameaçada (Crédito: Reprodução)

Com medo e sem saber o que fazer, a estudante passou a andar escoltada por amigas e amigos. No Facebook, ela fez um longo desabafo e revelou “chorei, fiquei com medo, busquei as formas de me proteger, de me resguardar e passei o dia todo imaginando o que leva uma pessoa a criar uma conta simplesmente pra destilar o ódio?”.

Tatiana diz estar com medo de andar na rua. “Que o maior dever de cada um de nós agora é voltar a razão e até lá eu e várias pessoas iremos andar com medo. Olha a loucura, não sou criminosa, não fiz algo ilegal e tenho que andar com medo”.

Mesmo após a publicação, ela continuou recebendo ameaças, inclusive desativou seu perfil.

“Ontem assim que acordei, a primeira mensagem que li foi essa. Um péssimo bom dia, aliás não foi um bom dia. Foi um aviso de acorda garota, as coisas estão ficando sérias. Eu chorei, fiquei com medo, busquei as formas de me proteger, de me resguardar e passei o dia todo imaginando o que leva uma pessoa a criar uma conta simplesmente pra destilar o ódio?
Eu sempre vi artistas serem atacados por fakes, e achava já absurdo. Mas nada é igual quando acontece com você. Quando é você que sofre a discriminação e ameaça sem saber o real motivo. Por um bom tempo eu me perguntei o que eu fiz, recebi muitas mensagens dizendo que eu fiz algo a essa pessoa e imaginei mas o quê? Eu não lembro de ter sido tão ríspida a ponto de alguém querer me matar. E se você não concorda com algo que digo ou público é tão simples resolver, desfaz a amizade ou para de seguir e cada um segue seu caminho. Então eu vi que não tenho culpa. Percebi que nosso País tinha um problema gravíssimo a Corrupção e esse problema levou a outro muito maior, ódio. Dividimos e separamos pessoas, amigos e até famílias. Criaram duas forças que não se misturam e agora que não se toleram. Não me interessa mais quem vai ganhar a eleição, já estamos dividos, já nos odiamos, queremos que quem não está do nosso lado morra. A vida já não é tão grande coisa assim. Eu estou triste por ver que temos que reconstruir muita coisa, por ter na minha frente a nítida certeza que todos já perdemos independente de resultado. Que o maior dever de cada um de nós agora é voltar a razão e até lá eu e várias pessoas iremos andar com medo. Olha a loucura, não sou criminosa, não fiz algo ilegal e tenho que andar com medo.”

Fonte: Meio Norte