29 C
Piauí
22 de maio de 2022
Cidades em Foco
Educação Geral

Estudante do Piauí tira nota 1.000 na redação do Enem; leia a redação!

Uma estudante do Piauí obteve a nota máxima na redação do Enem 2015. Valéria da Silva Alves, de 21 anos, foi uma dos 104 candidatos que tirou 1.000 em todo o país, segundo os dados apontados pelo Ministério da Educação (MEC). Este ano o tema proposto foi “a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”.

A estudante afirmou que ficou muito feliz quando viu o tema da redação na prova. “Eu gostei muito. Estava esperando esse tema e já tinha estudado o assunto. Tinha feito redações em relação à mulheres, mas não abordando a questão da violência. Mas isto me ajudou muito”, disse Valéria Alves.

Na redação, a estudante disse que trabalhou três aspectos que, para ela, foram essenciais para obter a nota máxima. “Eu tenho bom domínio de gramatica e ortografia porque eu faço muitas leituras. Além disso, estruturei bem o texto, escrevi a redação como o Enem pede e tinha conhecimento sobre o assunto, então argumentei bastante”.

Dentre os pontos abordados por Valéria na dissertação, foram trabalhados a questão da criança que vive em um ambiente onde os pais sofrem com dependência de drogas e álcool, e como isso pode interferir na vida adulta; o fato dos movimentos feministas, que incitaram inúmeras discussões nas redes sociais; e a tradição na sociedade brasileira, onde há o machismo e a luta da mulher por representatividade.

A jovem relatou ainda que fazia em média duas redações por semana e estudava cerca de 5 horas por dia. Valéria Alves passou quatro anos afastada dos estudos e não concluiu o Ensino Médio. Ela frequentava um cursinho pré-vestibular e participou do Enem pela primeira vez. A estudante afirmou que com a nota vai concorrer ao curso de Medicina na UFPI e na Uespi.

Ontem, o MEC divulgou dados com o balanço do Enem 2015. De acordo com o Ministério da Educação, 104 candidatos obtiveram nota mil na redação e 53 mil pessoas tiraram nota zero. Mais de 1,9 milhão de participantes tiveram entre 501 e 600 pontos.

Valéria da Silva Alves, de 21 anos – Foto: Reprodução

Leia a redação nota mil de Valéria na íntegra:

“A submissão da mulher em uma sociedade patriarcalista como a brasileira é um fato que tem origens históricas. Por todo o mundo, a figura feminina teve seus direitos cerceados e a liberdade limitada devido ao fato de ser considerada mais “frágil” ou “sensível”, ainda que isso não pudesse ser provado cientificamente. Tal pensamento deu margem a uma maior subjugação da mulher e abriu portas a atos de violência a ela direcionados.

Nessa perspectiva, a sociedade brasileira é pautada por uma visão machista. A liberdade feminina chega a ser tão limitada ao ponto que as mulheres que se vestem de acordo com as próprias vontades, expondo partes do corpo consideradas irreverentes, correm o risco de serem violentadas sob a justificativa de que “estavam pedindo por isso”. Esse pensamento perdura no meio social, ainda que muitas conquistas de movimentos feministas – pautados no existencialismo da filósofa Simone de Beauvoir – tenham contribuído para diminuir essa percepção arcaica da mulher como objeto.

Diante disso, as famílias brasileiras com acesso restrito à informação globalizada ou desavisadas a respeito dos Direitos Humanos continuam a pôr em prática atos atrozes em direção àquela que deveria ser o centro de gravitação do Lar. A violência doméstica, em especial física e psicológica, é praticada por homens com necessidade de autoafirmação ou dependentes de drogas (com destaque para o álcool) e faz milhares de vítimas diariamente no país. Nesse sentido,  a criação de leis como a do feminicídio e Maria da Penha foram essenciais para apaziguar os conflitos e dar suporte a esse grupo antes marginalizado.

Paralelo a isso, o exemplo dado pelo pai ao violentar mulher tem como consequência a solidificação de tal prática no psicológico dos filhos. As crianças,  dotadas de pouca capacidade de discernimento, sofrem ao ver a mãe sendo violentada e tem grandes chances de se tornarem adultos violentos, contribuindo para a manutenção das práticas abusivas nas gerações em desenvolvimento e dificultando a extinção desse comportamento na sociedade.

Desde os primórdios, nas primeiras sociedades formadas da Antiguidade até hoje, a mulher luta por liberdade, representatividade e respeito. O Estado pode contribuir nessa conquista ao investir em ONGs voltadas à defesa de direitos femininos e ao mobilizar campanhas e palestras públicas em escolas, comunidades e na mídia, objetivando a exposição da problemática e o debate acerca do respeito aos direitos femininos. É importante também a criação de um projeto de distribuição de histórias em quadrinhos e livros nas escolas, conscientizando as crianças e jovens sobre igualdade de gênero de forma divertida e interativa.”

Fonte: O Dia

Notícias relacionadas

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Se você está de acordo, continue navegando, aqui você está seguro, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais