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21 de setembro de 2020
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Final da Liga dos Campeões deixa Neymar e PSG perto de cumprir plano de R$ 3,6 bi

Foto: Michael Regan/UEFA/DiaEsportivo/Folhapress

O Paris Saint-Germain e Neymar estão agora a um passo de concretizarem um dos planos mais ambiciosos do futebol. Três anos depois de clube e jogador selarem a negociação mais cara da história, a vaga na final da Liga dos Campeões, obtida nesta terça-feira, deixa os dois perto de uma grande recompensa. O time se aproxima da ousada meta do título inédito enquanto jogador pode se aproximar do objetivo de ganhar o prêmio de melhor do mundo da Fifa.

Contratado pelo PSG por cerca de R$ 1,5 bilhão em 2017, Neymar deixou o Barcelona com uma missão clara. O milionário clube precisava ganhar a Liga dos Campeões, título que somente uma vez o futebol francês conquistou. Em 1993, o Olympique de Marselha teve essa honra. Para repetir o feito, o time parisiense não pouparia esforços nem o dinheiro dos investidores catarianos.

Desde a chegada de Neymar, no meio de 2017, o PSG investiu R$ 3,6 bilhões em 20 contratações para compor um elenco vencedor ao lado do brasileiro. Para se ter uma ideia do peso desse investimento, o montante seria suficiente para construir três estádios idênticos à Arena Corinthians, comprar cinco elencos com o mesmo valor de mercado do Flamengo ou adquirir mais de cem apartamentos de cobertura no bairro de metro quadrado mais caro do Brasil, o Leblon, no Rio.

As elevadas cifras gastas pelo xeque Nasser Al-Khelaifi trouxeram ao PSG reforços de diferentes perfis para conseguir montar um elenco competitivo, equilibrado e capaz de rivalizar com os melhores da Europa. Os experientes Daniel Alves e Buffon passaram pelo time francês. Por outro lado, a diretoria também fez questão de trazer jovens, em especial o atacante Mbappé, trazido do Mônaco antes aos 18 anos.

“Vim buscar algo novo, um desafio. Vim buscar os títulos que essa torcida e esse clube merecem. Vim atrás de novos títulos, desafios. Sou movido a isso, querer desafios, algo maior, estar sempre me superando”, disse Neymar ao chegar ao clube em 2017.

Depois de ter sido coadjuvante no Barcelona ao lado de Messi e Suárez, o brasileiro desembarcou na França com a certeza de que se conseguisse dar ao PSG um título tão relevante, poderia realizar o objetivo pessoal de ganhar o prêmio da Fifa.

O plano de Neymar sempre foi conseguir essa honraria. Agora, ela está mais perto do que nunca. Com os times de Messi e de Cristiano Ronaldo eliminados na Liga dos Campeões, o protagonismo assumido pelo camisa 10 do PSG nesta temporada o deixa esperançoso. Após não ter nem ficado entre os dez primeiros colocados nos últimos anos, o brasileiro pode ter uma redenção graças à campanha na competição.

No entanto, o sonho de ganhar a Liga dos Campeões sob o comando de Neymar já rendeu outras inúmeras decepções ao time parisiense Na primeira temporada do novo camisa 10, a equipe passou às oitavas de final como primeiro lugar do grupo e enfrentou o Real Madrid. Após derrota por 3 a 1 na Espanha veio um duro golpe: o brasileiro sofre uma fissura do quinto metatarso do pé direito em jogo pelo Campeonato Francês e ficou fora da partida de volta, quando o time espanhol venceu de novo e se classificou.

Na temporada seguinte, houve uma repetição do problema. O PSG perdeu Neymar pouco antes das oitavas de final, contra o Manchester United. O jogador sofreu uma lesão no mesmo pé. Afastado da equipe, o atacante veio ao Brasil passar o carnaval e foi visto de muletas no sambódromo do Rio enquanto a imagem causava ira na França. Preocupado com a repercussão negativa, ele voltou a Paris para ver da tribuna o time sofrer uma eliminação dolorosa.

O PSG havia vencido na Inglaterra por 2 a 0 e caiu dentro de casa após perder por 3 a 1 com um gol de pênalti sofrido nos minutos finais. Irritado, Neymar ainda piorou toda a situação por xingar o árbitro nas redes sociais e receber uma punição de três partidas de suspensão na temporada seguinte. A estrela contratada para conduzir o time ao título europeu via a relação com a torcida piorar por estar ausente nos jogos decisivos e ainda pela postura fora de campo.

Embora o PSG continuasse como multicampeão na França, a falta de título na Liga dos Campeões e o grande investimento feito pelo clube prejudicavam bastante o clima. Neymar estava insatisfeito no fim da temporada 2018/2019 e passou a planejar um retorno ao Barcelona. A transferência não deu certo e sobrou para ele o ônus desse fracasso. Vaias, cartazes e xingamentos passaram a fazer parte da rotina. “É triste, sei que agora vou jogar todos os jogos fora de casa. Era um desejo de sair, agora é uma página virada. Sou jogador do Paris e vou dar tudo em campo”, disse o jogador em setembro do ano passado.

Depois disso Neymar se mostrou focado em continuar no time e deixar de lado as polêmicas. Foram 19 gols e 12 assistências em 26 jogos. As atuações ajudaram a justificar a badalação de quem teve o nome projetado na Torre Eiffel em 2017, quando desembarcou em Paris. O camisa 10 não teve mais momentos conturbados com colegas de elenco e mostrou uma personalidade mais agregadora, ao reunir os companheiros para jantares na sua casa e passar uma imagem de comprometimento.

O moral elevado ajuda o camisa 10 a esbanjar otimismo nas redes sociais com os seguidores antes de cada partida e a sonhar que no próximo domingo, em Lisboa, possa conquistar um dos feitos mais importantes da carreira. Se o PSG o contratou em 2017 com o plano de tê-lo como protagonista, agora é a hora do jogador mais caro história ajudar o clube francês a se transformar em campeão europeu.

Por Ciro Campos
Estadão Conteúdo

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