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23 de setembro de 2021
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Jovem que perdeu a família inteira para a Covid-19 protesta por vacina

Fotos:Arquivo Pessoal

Ver o pai, mãe e irmã morrer no intervalo de duas semanas é uma tragédia que a estudante de educação física e empresária, Maria Clara Maranhão, nunca, nem nos piores pesadelos, achou que vivenciaria. Mas a família inteira da jovem teresinense de 22 anos entrou para a triste estatística e faz parte das 480 mil  pessoas que perderam a vida para a Covid-19 no Brasil.

Ontem (9), Maria Clara sepultou o pai. Hoje, é o 7º dia de morte da mãe, a professora Noélia Maranhão.  Maria Clara fez uma homenagem na frente da escola em que ela atuou nas salas de aula e na parte administrativa por quase 20 anos.

Em um discurso emocionado, a jovem protesta pela ampliação da vacinação para toda população brasileira e lamenta ter visto a família inteira “morrer vítima de uma doença que já tem vacina desenvolvida”.

“Eles[pai,mãe e irmã] agora estão muito melhor do que a gente aqui, que está vivendo esse caos, com esse vírus. Já são quase meio milhão de vidas levadas, sendo que a vacina já existe e o nosso presidente não faz absolutamente nada. Hoje mais do que nunca eu quero gritar fora Bolsonaro. Ele recusou 53 e-mails de proposta de vacina. Minha mãe, minha irmã e meu pai poderiam ter tomado vacina há muito tempo”, discursou a jovem sob aplausos.

Apenas o pai de Maria Clara, Manoel Honorato, teve a oportunidade de ser vacinado contra a Covid-19. Ele tinha 62 anos e, por ter hipertensão e diabetes, e recebeu a 1º dose da vacina no dia 3 de maio.

No entanto, o senhor Manoel recebeu a vacina quando já estava com o coronavírus, mas não sabia. Maria Clara conta que, no dia seguinte, ele apresentou os sintomas da Covid-19.

Maria Clara, Bianca e Manoel Honorato

“Na terça-feira, 4, ele já começou a sentir os sintomas e eu também. No dia 11, minha irmã Bianca foi internada. No dia 12 os meus pais foram internados juntos. Todos faleceram em um intervalo de 15 dias”, lamenta Maria Clara, que agora convive com a saudade e o silêncio da casa em que morava com a família.

“Meus pais e minha irmã me ensinaram tudo sobre a vida, principalmente o básico, como respeitar, amar os outros e a principalmente me amar e respeitar. Me ensinaram a conversar com Deus, ser paciente e cuidar dos meus. Hoje posso dizer que sou uma mulher muito forte e centrada, tudo ensinado por eles. Aqui eu continuo e sigo firme, pronta para encarar a vida e concluir meus objetivos profissionais e pessoais. Pra sempre eles estarão dentro de mim”, conta Maria Clara.

Fonte: Izabella Pimentel / CidadeVerde

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