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24 de setembro de 2020
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Mulher achada morta pelos filhos com lençol dentro da boca foi estuprada antes de morrer, aponta perícia

Lia Vanessa foi achada morta dentro de casa pelos próprios filhos — Foto: Arquivo pessoal

Lia Vanessa Araújo Chaves, 37 anos, foi estuprada antes de morrer, segundo informações do laudo pericial informadas nesta quarta-feira (12) pelo delegado Aldely Fontineli, que investiga o caso. Lia Vanessa foi encontrada morta pelos próprios filhos de um ano e oito meses, seis anos e 10 anos no dia 24 de junho, em sua residência, na zona rural de São Miguel do Tapuio, a 170 km de Teresina.

De acordo com o delegado Aldely Fontineli, o laudo constatou as violências sofridas pela vítima. A perícia mostrou ainda que a mulher foi assassinada na noite do dia 23, asfixia e estrangulamento. Pela manhã do dia 24, os filhos da vítima encontraram a mãe sem vida e pediram ajuda.

“Ela sofreu violência sexual e morreu sufocada. Todas as evidências foram constatadas em laudo pericial”, afirmou o delegado.

Violências anteriores e medo de morrer

Iraides Oliveira, tia e irmã de criação da vítima, informou que Lia já tinha sofrido violências e ameaças do suspeito. O casal morava na casa da vítima, na Zona Rural de São Miguel do Tapuio, mas a casal estava separado desde fevereiro deste ano e, por ele não ter onde morar, ficou dormindo na área externa da casa.

Ela já tinha providenciado com a família o aluguel de uma casa na zona urbana para ficar longe do suspeito. Ele ficaria na casa de Lia até arrumar outro lugar para ir.

No dia se sua morte, ela voltou à casa apenas para pegar pertences e buscar os filhos. Ela chegou ainda a ir até a casa do pai, deixar munições de uma arma de fogo do suspeito, por medo de morrer. Iraides Oliveira, tia e irmã de criação da vítima, disse que a família soube tarde demais de todas as violências que Lia sofria.

“Ela contou só para o pai dela, que tinha medo de morrer, porque já tinha recebido ameaças. Ele só disse para a gente depois que ela morreu. Ela deixou a munição, mas não imaginava que ele ia matar ela asfixiada. Ele machucou os seios dela, mordeu e quebrou o nariz dela, o maxilar, há indícios de braço e dedos quebrados. Foram muitas violências. Ela queria alugar a casa e já tinha chegado na casa de familiares toda roxa, com marcas nos braços, nos olhos. Ela deu desculpas de ser marcas de trombose, mas logo foi visto que ela estava sofrendo agressões físicas. O pai dela chegou a querer dormir lá, mas ela não quis, porque tinha medo de ele matar ela e o pai”, contou a tia.

A tia relatou ainda que durante 15 anos de casamento, Lia foi abandonada por Antônio Fagner diversas vezes, sozinha, para cuidar dos filhos. Em uma das vezes, Lia estava grávida. Desempregada, ela precisou contar com a ajuda da família.

“Mas ela era apaixonada por ele, tinha o sonho e o desejo de manter o casamento, fazer com que os filhos fossem criados e crescessem com o pai. Não imaginava que fosse acabar assim”, lamentou Iraides.

Remoção do corpo não foi feita pelo IML

No dia seguinte, infelizmente, a família já soube da triste notícia do assassinato de Lia Vanessa. A família questionou ainda a forma como o corpo da vítima foi levado do local: pelo serviço funerário, em vez do Instituto Médico Legal.

O delegado Aldely explicou que a remoção foi feita assim porque o assassinato aconteceu em um local distante da cidade. Além disso, por se tratar de um crime bárbaro, a Polícia Civil tentou agilizar a retirada.

Segundo a família, o corpo ficou até a tarde no local, depois em São Miguel do Tapuio e apenas às 22h30 foi para Teresina, fazer o exame pericial.

“No local, realizamos todas as medidas necessárias e possíveis para que a remoção fosse realizada da forma mais rápida possível. Por conta desses trabalhos realizados, não haveria necessidade do Instituto Médico Legal (IML) ser acionado até o local, mas infelizmente não foi tão rápido assim”, explicou o delegado.

A Polícia Civil ainda não localizou o suspeito do crime. A suspeita é de que ele tenha fugido para o Pará, estado de onde é natural. O delegado chegou a solicitar quebra do sigilo telefônico do suspeito, para tentar localizá-lo, mas isso não foi autorizado pela Justiça. A Polícia Civil informou que continua fazendo buscas para encontrar e prender o homem.

Fonte: Vitória Pilar*, estagiária sob a supervisão de Maria Romero / G1-PI

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