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16 de junho de 2019
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“O Exército não matou ninguém, não”, diz Bolsonaro sobre morte de músico

Seis dias depois da morte do músico e segurança Evaldo Rosa dos Santos, 46, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se manifestou publicamente pela primeira vez sobre o caso, em entrevista a jornalistas em Macapá, nesta sexta-feira (12).

“O Exército não matou ninguém, não, o Exército é do povo. A gente não pode acusar o povo de ser assassino. Houve um incidente, houve uma morte, lamentamos a morte do cidadão trabalhador, honesto, está sendo apurada a responsabilidade”, disse ele.

Segundo Bolsonaro, o Exército sempre aponta responsáveis e, na corporação, “não existe essa de jogar para debaixo do tapete”.

Ele citou ainda a perícia e investigação que estão sendo realizadas para apurar as circunstâncias do crime e “ter realmente certeza do que aconteceu naquele momento”.

“O Exército, na pessoa do seu comandante, o ministro da Defesa, vai se pronunciar sobre esse assunto. Se for o caso, me pronuncio também. Com os dados na mão, com os números na mão, nós vamos assumir a nossa responsabilidade e mostrar realmente o que aconteceu para a população brasileira”, afirmou.

Até então, a única manifestação do presidente sobre o assunto havia ocorrido por meio do porta-voz da Presidência, general Rêgo Barros, que também classificou o caso como “incidente”.

Evaldo foi morto depois de ter o carro alvejado com 80 tiros por militares do Exército, na tarde do último domingo (7), na região da Vila Militar, na zona norte do Rio de Janeiro. A mulher dele, o filho de sete anos, uma amiga e o sogro dele também estavam no veículo. O sogro ficou ferido, assim como um pedestre que passava pelo local.

Na segunda-feira (8), o Exército determinou a prisão em flagrante de dez militares envolvidos no ocorrido. Nove deles continuam presos. Nesta sexta, o STM (Superior Tribunal Militar) negou pedido de liberdade aos nove.

O general Lúcio Mário de Barros Goés, ministro do STM, disse que “não há aparência de ilegalidade na decisão” da juíza Mariana Aquino de Campos, que já havia negado o pedido dos militares na última quarta-feira (10).

Ainda cabe recurso contra a decisão liminar de Goés. O ministro solicitou que a magistrada e a Procuradoria-Geral da Justiça Militar da União se manifestem sobre o caso.

Já o ministro da Justiça, Sergio Moro, disse nesta sexta-feira que é “uma questão de terminologia” usar a palavra incidente para se referir à morte do músico. Em evento nos EUA, Moro repetiu a palavra usada por Bolsonaro e acrescentou que o acontecido foi lamentável.

“É uma questão de terminologia, um fato, um incidente, evidentemente lamentável. O que importa é que as instituições extraiam consequências, como o Exército vem fazendo”, disse o ministro após reunião em Washington.

Questionado sobre ser adequado falar em incidente para se referir a uma ocorrência com 80 tiros, Moro afirmou que não comentaria declarações do presidente e que era importante destacar as apurações que estão sendo feitas e que os responsáveis estão presos.

Ainda de acordo com o ministro, as apurações iniciais são feitas pelos órgão de investigação militar porque o fato envolveu militares. “Se, eventualmente, no futuro, a Justiça decidir -e aí é decisão da Justiça, não do governo- que a competência é da Justiça comum, não tem problema”.

Em entrevista a uma rádio nesta sexta, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou que “pressão” e “emoção” provocam episódios como a morte de Santos.

“Sob pressão e sob forte emoção ocorrem erros dessa natureza. Isso aí está sendo investigado, foi aberto o inquérito policial militar devido. Aqueles que forem culpados -a gente já sabe que tem um oficial, que tem um comandante- toda situação dessa natureza o responsável é o comandante, é o primeiro responsável”, disse em entrevista à rádio CBN.

“A gente não tem a mínima dúvida de que, uma vez comprovada a culpabilidade dos militares que integravam aquela patrulha, eles serão submetidos ao julgamento e condenados na forma da lei se for o caso”, completou.

O vice afirmou ainda que “disparos péssimos” evitaram que uma tragédia maior acontecesse em Guadalupe, zona norte do Rio.

“Houve uma série de disparos contra o veículo da família, né? Você vê que só uma pessoa foi atingida [ao menos três foram atingidas], então foram disparos péssimos, né? Porque se fossem disparos controlados e com a devida precisão não teria sobrado ninguém dentro do veículo. Seria pior ainda a tragédia. Então isso é um fato”, disse Mourão.

Fonte: Folhapress  

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