22.2 C
Piauí
2 de julho de 2020
Cidades em Foco
Geral Pernambuco em Foco

Pandemia de coronavírus modifica relação das pessoas com o luto

Foto: Roberta Aline/

A pandemia de coronavírus, marcada pelas atualizações constantes do número de infectados e mortes em várias partes do País e do mundo e pela alteração profunda da vida cotidiana, modifica a relação das pessoas com o luto e confunde as diferentes fases emocionais até a aceitação da morte. Essa é a opinião do psicólogo Marcelo Santos, professor de Psicologia da Universidade Mackenzie Campinas.

“Estágios como negação, depressão, raiva e barganha, que não ocorrem necessariamente nessa ordem, se confundem porque as pessoas revivem a morte diariamente, seja na hora de ligar a TV ou quando alguém fala da pandemia. Com isso, o luto sofre um alongamento e a aceitação pode ficar mais difícil”, diz o especialista.

As teorias citadas por Santos, que dividem a relação com a morte em fases foram desenvolvidas pela psiquiatra suíça Elizabeth Kubler-Ross. Outras teorias apontam um processo dual do luto no qual as ondas (ou oscilações) entre perda e restauração se alternam.

Para Maria Julia Kovács, professora do Instituto de Psicologia da USP, o luto, processo de elaboração pela perda de uma pessoa querida que envolve sentimentos de diversas ordens e intensidades, encontra dificuldades adicionais durante a pandemia. Mas existem formas de tentar aliviar a dor.

“Velórios e enterros virtuais, atendimento do luto por psicólogos online e projetos de manutenção de lembranças e memórias virtuais são meios que ajudam nesse processo. É uma forma de aliviar a dor no momento”, diz.

A mãe do representante comercial Robson (nome fictício) morreu de Covid-19 após dez dias de internação em um hospital particular de São Paulo, o pai foi sozinho reconhecer o corpo e ao crematório. Quando a pandemia passar, ele quer organizar uma missa para celebrar a vida de sua mãe, que tinha 57 anos e nenhuma doença preexistente.

Paralelamente à dor do luto, muitas famílias têm de conviver com o estigma, ou seja, a marca pela morte de parentes.

“Essas famílias têm de conviver com a dificuldade da perda e ficam expostos à estigmatização de possível contágio. Elas sofrem duplamente. A verdade é que todos estamos sujeitos ao coronavírus. Aquele que estigmatiza poderá ser estigmatizado”, explica Santos.

O especialista lembra que existem exemplos históricos de estigmatização relacionados às doenças. No livro A Praga, a jornalista Manuela Castro mostra como as pessoas com hanseníase eram colocadas à margem da sociedade em função do perigo do contágio. Entre 1924 e 1962, o Brasil utilizou a internação compulsória de pacientes com hanseníase como forma de controle da doença.

Fonte: Estadão Conteúdo
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

Notícias relacionadas

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Se você está de acordo, continue navegando, aqui você está seguro, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais