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18 de maio de 2022
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Pesquisador cria algoritmo que prevê período de maior incidência em casos de dengue de acordo com as condições climáticas

Climatologista, Werton Costa (Foto: Arquivo Pessoal)

Você sabia da existência de um algoritmo que identifica o índice de casos de dengue de uma região, a partir das variações climáticas? Ítalo Albuquerque já foi premiado no Congresso Internacional do Programa Despertando Vocações (COINTER – 2020), sobre suas pesquisas relacionadas a essa temática e criação. Tal estudo nasceu ainda durante seus primeiros passos como pesquisador, durante a produção de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

Segundo o pesquisador, Ítalo Albuquerque, o Algoritmo criado por ele, analisa dados das variáveis de temperatura, umidade relativa, chuvas e casos de dengue confirmados em cada região usando técnicas de Machine Learning (Aprendizado de Máquina). A primeira região em que o pesquisador usou o algoritmo para prever o período de maior incidência da doença foi no município de Picos-PI.

“Por meio das variáveis de temperatura, umidade relativa, chuvas e casos de dengue confirmados na cidade de Picos, foi possível realizar uma análise exploratória para entender melhor sobre os dados. A partir disso, com técnicas de Machine Learning (Aprendizado de Máquina), foi possível realizar uma previsão por meio de Regressão Linear”, explicou Ítalo Albuquerque.

Com base nas descobertas do pesquisador, é necessário entendermos mais sobre como se dão as condições climáticas de cada região. Essa temática vem sendo discutida desde sempre por autoridades governamentais e pesquisadores em todo o mundo, visto que, as condições climáticas influenciam em diversos setores da vida humana, até mesmo com a incidência de casos de dengue, como diagnosticou o pesquisador, Ítalo Albuquerque.

O Climatologista, Werton Costa, explica que as condições climáticas da região de Picos, devido à localização geográfica, são acolhidas por vários sistemas atmosféricos, que é um mecanismo responsável por transportar a umidade do oceano para o interior do Nordeste.

“Em função da localização geográfica, a cidade de Picos é acolhida por vários sistemas atmosféricos, que é um mecanismo responsável por transportar a umidade do oceano para o interior do Nordeste, em anos que as chuvas são prolongadas, geralmente o período de estiagem é prolongada no tempo, porém quando o período chuvoso é menor, a estiagem é antecipada. Podemos observar o seguinte cenário, geralmente a estação chuvosa no município de Picos termina em meados de maio, ocasionando o aumento na insolação e o solo começa a perder a umidade por evapotranspiração, fazendo com que toda a umidade adquirida pelo solo durante o período chuvoso, seja esgotada no mês de julho”, frisa o Climatologista.

Avanços de casos da dengue

As variáveis climáticas muitas vezes são responsáveis pelo aumento de doenças, no município de Picos, a prolongação do período chuvoso com a junção de altas temperaturas, ocasionou o aumento no número de casos de dengue deste ano de 2022, em relação ao mesmo período do ano de 2021.

De acordo com o Coordenador da Vigilância Epidemiológica de Picos, Robsoncley Viana, no site da SINAU ONLINE/SVS/MS consta que os casos de dengue da cidade de Picos em 2022 aumentaram em aproximadamente 333% em relação ao ano passado.

“No ano de 2021, de janeiro ao inicio de maio, a cidade de Picos só teve 21 casos de dengue, este ano, durante esse mesmo período, já são 91 casos de dengue confirmados, o que segundo o site da SINAU ONLINE/SVS/MS, é o que corresponde uma porcentagem de aproximadamente 333% de casos a mais do que em 2021. Alguns dos fatores deste aumento é a mudança climática, este ano o período chuvoso foi mais prolongado, com altas temperaturas, também temos a falta de cuidado por parte da população com os domicílios, pois na maioria das vezes o foco do mosquito transmissor da dengue está dentro das casas das pessoas”, pontou Robsoncley Viana.

Por fim, o algoritmo criado pelo Pesquisador Ítalo Albuquerque, além de prevê os casos de dengue, pode servir como um dispositivo de alerta para as organizações responsáveis pela saúde pública de cada região, para que intensifiquem medidas de vigilância de acordo com as mudanças climáticas de cada temporada do ano.

Por: Maria Ivonete / Faculdade R.Sá

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