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9 de agosto de 2022
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Piauiense transforma sucata em fogão a carvão e é alternativa com alta do gás

Foto: Arquivo pessoal

Uma roda de pneu, ferro para fazer grades de janelas, um cilindro de gás de geladeira, vergalhões e um fogão de cozinha. Com esses instrumentos, o metalúrgico piauiense Cícero Romão Lopes Moreira, 45, criou um fogão movido a carvão, em sua oficina em Campo Maior, a 78 km de Teresina.

A peça virou alternativa para a população local, e até de outros estados, que viu o preço do gás de cozinha subir além do que podia pagar. Este mês, a Petrobras anunciou aumento de 7,2% nos preços da gasolina e do gás de cozinha em suas refinarias. No Piauí, o botijão já é vendido de R$ 115 a R$ 120.

Segundo Moreira, as buscas pela peça completa (de três bocas, forno e churrasqueira), que custa R$ 250, estão tão aquecidas quanto no ano passado. A procura pelos fogões mais simples e mais baratos é que cresceu. Nos últimos meses, Moreira viu a procura pelos chamados fogareiros (“fogões” com uma ou duas bocas) aumentar em torno de 50%. A peça com uma boca sai por R$ 50, já a de duas bocas custa R$ 65.

“Este ano já produzi mais de 100 fogões. Estou com 20 encomendas para fazer este mês do fogão a carvão, e agora aumentaram em mais de 50% os pedidos dos fogareiros e churrasqueiras como alternativa também, devido ao aumento do gás de cozinha”, diz.

O metalúrgico garante que o fogão cozinha qualquer alimento, assa bolos, pães e outros pratos. Ele conta que já recebeu encomendas de vários municípios do Piauí, do Maranhão e também de Brasília.

Foto: arquivo pessoal

Invenção nasceu com o aumento do gás de 2015

A invenção do fogão a gás adaptado para o carvão surgiu em 2015, quando o botijão teve aumento de 15%, após 13 anos com preços congelados. “Houve um aumento abusivo naquele ano, vi que a população estava reclamando muito e tive a ideia de montar esse fogão a carvão”, conta.

A ideia veio de suas experiências em produzir grades de ferro para portões e janelas de casas, além de churrasqueiras e fogareiros. Moreira conta que precisa do fogão a gás de quatro ou seis bocas para transformá-lo em modelo a carvão. “Antigamente, se fazia usando o barro, e adaptei para o fogão de metal”, afirma.

Segundo o metalúrgico, o modelo foi patenteado em 2016. Ele produz em dois dias o fogão de forma artesanal, com ajuda de um soldador. Com a dificuldade de encontrar materiais nas sucatas e o aumento do metal, Moreira conta que tem evitado pegar novas encomendas. Ele disse que gasta cerca de R$ 130 para produzir o modelo mais completo, entre pintura, diária do soldador e compra do material.

Foto:arquivo pessoal

Inventor Cícero Romão

Cliente diz que reduziu gastos em até 80%

Gilmar Luz Moura, 41, comprou uma peça há dois meses para sua lanchonete em Campo Maior e diz que conseguiu reduzir os gastos com a cozinha entre 70% a 80%. “O preço do gás está altíssimo. Usamos dois botijões no mês na lanchonete e gastamos R$ 240. Com o fogão a carvão, gasto R$ 36 no mês”, conta.

Em Campo Maior, o botijão chega a custar R$ 120, enquanto o preço médio do saco de carvão é de R$ 18 e dura duas semanas para Moura. “Fiz um bom negócio, tenho certeza”. Elisangela Medeiros da Silva, 41, conheceu a invenção do metalúrgico e quis experimentar. Ela conta que cozinha arroz, feijão, carne, panelada, um cozido típico no Nordeste, e não tem tido problema. “Além da comida sair gostosa, ainda tenho redução de custo”, diz.

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Fonte: Yala Sena / CidadeVerde

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