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9 de julho de 2020
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‘Racismo é extremamente violento e está no nosso dia a dia’, diz doutor em educação

Diante da repercussão sobre a morte de Miguel Santana da Silva, após cair do 9º andar de um prédio de luxo no Recife, e do debate em torno do racismo no Brasil e no mundo, professores e militantes negros afirmam que o problema é estrutural. Entretanto, dizem que pode ser combatido através de diálogos, questionamentos e fortalecimento da autoestima de pessoas negras em relação à cor da pele.

“A gente tem que entender que o racismo é um sistema de opressão. Isso significa que eu tenho uma estrutura criada para que haja privilégios para um grupo e para que haja subalternização e desvantagens para outro grupo. Não é algo individual, moral. Não tenho medo nenhum de dizer que, no Brasil, nós somos racistas em maior ou menor grau”, declarou a procuradora federal Chiara Ramos, militante contra o racismo.

Para o psicólogo e doutor em educação Hugo Monteiro, casos como o de Miguel e de João Pedro, menino morto dentro de casa durante uma operação policial no Rio de Janeiro, e de George Floyd, homem negro asfixiado por policiais nos Estados Unidos, mostram “nitidamente uma ideia de inferioridade em relação à posição étnica e racial dessas pessoas”.

“O racismo é extremamente violento e está no nosso dia a dia, no nosso cotidiano. Cotidianamente, nós negros passamos por situações racistas. É uma estrutura que nos afeta e violenta muito a nossa natureza mental, provoca sofrimento diverso em quem passa pela situação. Precisamos enfrentar com lucidez, com sabedoria, com compreensão”, disse Monteiro.

Segundo Chiara, é possível combater essas práticas através de quatro atos: ver, ouvir, falar e agir. “A pessoa pode ver quantos negros estão em seu convívio social, ouvir, ler, assistir a filmes e documentários de pessoas negras, falar sobre como o racismo existe e que não é ‘mimimi’ e agir, seguindo perfis de pessoas negras, ampliar seu rol de amizades e, caso esteja em posição de chefia, contratar pessoas negras”, afirmou.

Hugo Monteiro é doutor em educação — Foto: Reprodução/TV Globo

Hugo Monteiro é doutor em educação — Foto: Reprodução/TV Globo

Segundo Hugo Monteiro, preparar negros para o sofrimento que surge como consequência da discriminação não deve ser a atitude inicial. “Acho que a primeira coisa não é preparar para a dor. É preparar para que você tenha uma autoestima, goste da sua ancestralidade, da sua história, da sua cor, do seu cabelo, da sua fisionomia”, contou.

Ainda de acordo com ele, essa mudança de paradigma não pode ser feita de forma individual. “Isso você não faz sozinho, você precisa de organismos sociais. Você precisa da escola, de livros, de filmes, de uma mudança paradigmática para que sua autoestima esteja bem estabelecida nesse momento”, disse.

Caso Miguel

Miguel morreu ao cair do 9º andar de um edifício de luxo no Recife após a mãe descer para passear com o cachorro dos patrões e deixar o menino aos cuidados da patroa. A empregadora foi autuada por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas não teve o nome divulgado pela Polícia Civil. Ela foi presa em flagrante e liberada para responder em liberdade após pagar R$ 20 mil de fiança.

Na quinta-feira (4), Mirtes contou em entrevista à TV Globo que era empregada doméstica do prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker (PSB), e da esposa dele, Sarí Côrte Real

Fonte: G1

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