27.9 C
Piauí
17 de outubro de 2021
Cidades em Foco
Geral Saúde Sertão do Inhamuns em Foco

Testes ajudam a escolher remédio para ansiedade e depressão

A ansiedade e a depressão podem levar à incapacidade de realizar tarefas cotidianas, diz psiquiatra — Foto: Reprodução/RPC

Um dos desafios do tratamento para ansiedade e depressão é fazer com que pacientes sigam tomando os remédios prescritos pelos médicos mesmo após episódios de efeitos adversos ou quando o paciente não percebe melhora do quadro. Com oferta crescente no Brasil, os testes farmacogenéticos se apresentam como uma opção para dar precisão e evitar que medicamentos sejam recomendados por meio da tentativa e erro. Diante da pandemia, do isolamento social e da alta do desemprego, profissionais de saúde têm sido cada vez mais procurados para tratar de sintomas, diagnósticos e tratamentos contra essas doenças.

Realizados com saliva ou sangue, os testes analisam o DNA dos pacientes e permitem identificar alterações que podem impactar na resposta dos medicamentos e nos efeitos colaterais – alguns fazem até o cruzamento para verificar se interações medicamentosas e hábitos de vida, por exemplo, podem interferir no sucesso do tratamento.

“Esse exame envolve uma estratégia chamada Medicina de precisão, que avalia características das pessoas, das doenças e do DNA, e adapta o tratamento de acordo com a necessidade. Além de melhorar as respostas, os testes objetivam economizar dinheiro, porque, toda vez que ajusta o medicamento, o preço do tratamento aumenta”, explica Leandro Brust, líder de Farmacologia da GeneOne, empresa de genômica da Dasa. O exame da GeneOne chegou ao mercado no começo do ano passado, o que coincidiu com o início da crise da covid-19.

Ele diz que o conceito de Medicina de precisão já é uma tendência em países como os Estados Unidos, Espanha, Holanda, Taiwan e Turquia e que os testes farmacogenéticos estão em crescimento, principalmente com o aumento de casos de depressão e ansiedade.

“A maioria dos medicamentos psiquiátricos acaba passando por determinadas enzimas, em 70% dos pacientes elas passam. Sabemos que, de cada dez pessoas, nove têm alguma alteração nos genes que, se fosse conhecida, poderia ter melhorado a resposta terapêutica e evitado o efeito colateral”, diz. O exame analisa ainda outros fatores que podem impactar o tratamento.

“A genética determina uma parte disso, a outra parte é a interação entre os medicamentos. A gente consegue avaliar as interações, porque um paciente com depressão pode ter pressão alta ou diabete. O exame vai observar hábitos também. Se a pessoa toma café, bebe álcool. A gente pode simular situações novas, como infecção por covid”, afirma. “O médico pega o exame, faz um login com uma chave personalizada, entra em uma plataforma com base científica mundial e vai fazer a simulação antes de receitar.”

Entre junho e agosto desde ano, houve crescimento de 456% nos testes realizados pela GeneOne em relação ao mesmo período do ano passado, quando o exame estava nos primeiros meses no mercado. Por enquanto, os testes com foco na área de psiquiatria ainda são particulares e os valores variam entre R$ 1.485 e R$ 1 990.

Wagner Baratela, chefe da genômica do Grupo Fleury, diz que o teste é uma ferramenta para ajudar os médicos e que a análise individual de variantes do DNA associadas ao metabolismo de medicações permite que o psiquiatra defina qual será o melhor tratamento. “O metabolismo lento faz com que leve mais tempo para a medicação ser retirada do organismo. Assim, tem o efeito de exacerbação dos sintomas em sistemas lentos. Se o metabolismo for acelerado, o efeito do tratamento acaba não sendo tão bom.” Mas ele diz que o exame não exclui a necessidade de diagnóstico e acompanhamento por parte do psiquiatra.

Fundador da Gntech, o médico psiquiatra Guido May conta que a empresa oferece os testes farmacogenéticos desde 2017 e que eles já estão na quinta geração. Em junho deste ano, foi lançada uma versão mais compacta, que faz a análise de seis genes – a versão completa mapeia 32 – por R$ 1.485.

“O método de tentativa e erro dá 50% de falha. Depressão e ansiedade já são a maior causa de faltas ao trabalho no Brasil e no mundo. Cada tentativa de tratamento que falha, a depressão vai se tornando mais grave e crônica. Um grande porcentual, que pode chegar a 70%, abandona o tratamento por efeitos colaterais ou ineficácia da medicação. Já temos estudos que demonstram que, comparado com pacientes com tentativa e erro, as pessoas que fazem o teste têm resultados mais eficazes, menos gastos e menor número de internações”, afirma May, que atua no Hospital Israelita Albert Einstein.

Segundo a psiquiatra Lívia Beraldo, a adesão ao tratamento já é impactada pelo estigma e o preconceito com as medicações, algo agravado pelo intervalo entre o início do tratamento e a sensação de que ele está fazendo efeito. “Essas medicações, como os antidepressivos e remédios para ansiedade, demoram cerca de 20 dias para começar a fazer efeito. Essa demora pode ser mais um fator para distanciar o paciente do tratamento. Isso (exame) dá mais esperança ao paciente”, afirma.

Fonte: Estadão Conteúdo

Notícias relacionadas

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Se você está de acordo, continue navegando, aqui você está seguro, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais